quinta-feira, 28 de setembro de 2017

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O SOM DO NOME DELA

Adoro a sonoridade do nome dela:
V A L D É L I A.
É som de estalo de chiclete ploc
Na boca de adolescente feliz.
O som de pipoca festejando na panela:
V A L D É L I A.
Nome de rima fácil. Rima com Flor:
Azaleia. Só que mais sonoro:
V A L D É L I A.
Gosto do som da voz dela
Mas me delicio com o som do
Nome dela: V A L D É L I A.
Nunca me acostumei com apelidos
Docinhos pra ela porque gosto mesmo
É do som do nome dela:
V A L D É L I A.
Não é só amor que sinto por ela.
É paixão pelo som do nome dela:

V A L D È L I A.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Do Mundo Animal

A leitora era uma leitoa
E o gato em lugar de
Miar, ría,  sorria.

A leoa que estava sempre por ali
Mas que nem lia nem sorria
O gato e a leitoa com os olhos
Comia.

Depois pela boca os mandou
Para onde ela achava que devia:
Sua barriga vazia.

Aí ninguém mais lia nem sorria
Só a leoa satisfeita
Descansava e dormia.

Moral da historinha:
Tenha cuidado com o que
Se avizinha enquanto você
Prática o que queria.

Mas se a moral não o agrada
Invente uma como você acha
Que devia.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

ACRÓSTICO ( V A L D E L I A )

Se me emociono
(Na maior parte do tempo)
As lágrimas dos meus olhos

Vão caindo em
Amor se diluindo
Lentamente amaciando meu core
Dedicado que é só a sentir, sentir
Elemento doido esse meu core
Leve este danado pra você
Incruste nele alguma razão
Afinal amor, vivo me emocionando.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SOBRE O AMOR

O amor não presta
Sério não presta
Só presta bobo.

Se se derrete em delicadezas
Se escreve poemas docinhos
Se ouve e canta canção melosa
Se puxa a cadeira
E oferece flores
Um bom chocolate
e um vinho que tira a razao

Se beija a mão
Se beija a testa
e não despensa
Um beijo molhado de língua
Se se derrete como picolé
Ao sol

Mas sério
O amor não presta
Sério.

Se faz elogios bobos
Brincadeiras irritantes
Se esbarra no noutro
Só por pretexto de sentir
A emoção do corpo no corpo

Mas amor
Não presta
Sério.

Se abraça
E no lugar de pedir desculpas
Oferece um sorriso bandido
E carrega outro
Pra um cantinho
A sós.

Mas amor
Sério
Sério não presta.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Transmissão

Via na tv
Um cara namorando
Uma mina .
Lembrei de você .
Fiquei com os nervos
À flor da pele

Aqui está a flor,
Vim te presentear.

A Boa Companhia do Dia

Amigo tu sabes
O que é
Acordar de manhã
E casado ao cheiro do café
Sentir  o cheiro
Da tua mulher?
(Deverias saber o que é )

Sentar à mesa
O pão passar
E ter bom dia
Pra quem falar?

Amigo tu não sabes
(Deverias saber)
O que é
Começar o dia
Na boa Companhia

De um café ,
Da tua mulher.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Valdelia

Lá vem ela
Com seu laço de fita amarela
Na boca esbanja um sorriso aquarela
Que faz da janela
Outras belas acenarem
Pra ela.

Que sai dançando
Com sua cintura tagarela
Que torce muitas cabeças
Que giram a olhar pra ela.

E lá de cima
Um anjo azul
Com a cabeca nas nuvens
Acenar sorridente pra ela.

E na terra um coro de vozes
Faz fifiu! fifiu! Pra ela.

Lá vem ela
Com seu laço de fit amarela
Que faz pássaros cantarem
Em uníssono pra ela.

Cachorros
Gatos
E galos
Encherem o peito
E se derreterem em sinfonia pra ela.

Lá vem ela
Com seu laço de fita amarela
E eu fico besta
A olhar pra ela
Um exagero de coisa bela

Que faz sol
Lua, astros
E estrelas
Prestar reverência a ela.

Parece-me que o mundo
Gira no entorno
Dela.

Lá vem ela
Com seu laço de fita amarela.

Sorrateiro
Enquanto ela dormia
Dei um beijo na boca dela
Passei a mão na coxa dela
Fui me entusiasmando
Ela deu ar de acordar

Corri....

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

LEMOS SANTOS

Os Lemos
Leem muito
Mais do que nós lemos
Ainda assim não são santos
Como os Santos
E não venham me dizer:
santo ninguém é, porque
Os Santos são
O nome nos diz que é.

Entre duas

Amo perdidamente Sônia
Para desespero de sua irmã.
Quem não amaria Sônia?
Nos prega na cama
Nos leva o cansaço
Nos dá disposição
Sua irmã Insônia
Faz de nós um farrapo.

Asma

As más
Estão com asma
Acho que não podem correr
Acho que podem morrer.

A vista

Eu me vendo
Meus bolsos estão vazios.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A festa da morte (O Porco)

Acabei de ler uma crônica de Rubem Braga sobre a morte do carneiro que virou buchada e logo me lembrei da morte do porco que a cada seis ou sete meses acontecia lá  em casa.

Ler é como antigamente a gente fazia, sentava na calçada e numa roda conversávamos horas a fio e uma conversa levava a outra. Leio uma história e logo minha mente me transporta a outra.

O erudito besta vai dizer que o que eu estou a fazer é um intexto e que eu devo ter cuidado com os plágios. Vão se danar seus intrometidos!

Mas voltando ao Braga, percebam a intimidade, é que de tanto ler o Rubem já me fiz chegado.

Tá enrolando demais, você ja deve estar dizendo. Calma. Eu chego lá.

Meu avô criava no quintal porcos. Ele os engordava com sobras de comida e rama de batata. Eu enchia a paciência do porco jogando tudo o que eu achasse que o porco podia comer.

Seis meses depois meu avô dava uma olhada e via se o  porco estava bem.  Bem pra ele era se estava gordo o bastante para o abate. Fazia um carinho no porco e um elogio e marcava a viagem do bichão que em nada mais lembrava ao o que havia chegado, exceto que era um porco.

A morte do porco era uma festa pra mim. Meu avô dizia que amanhã era dia de acordar cedo. Ainda com escuro.  Não entendia isso. Será que era para o porco ainda meio sonolento não demorar a partir?

Esse questionamento estava dentro de mim mas não o fazia em palavras. Estou fazendo agora depois de cabelos brancos.  Mas estava na minha alma de menino.

Mas dormia com a expectativa da festa. Dia seguinte. Acordadava meio atrasado. O porco ja estava morto.  Acho que essa parte da festa meu avô não fazia questão que eu visse. Mas rapar o pelo do porco, empurrar a faca para abrir o porco em bandas,  arrancar fora os intestinos e o coração do porco,  pendurar a carcaça num gancho e com a ajuda de um machado esquartejar mais ainda o aniversariam até ai era permitido.

Depois ainda o porco sendo esquartejado, o fígado e as tripas ja estavam cozinhando numa panela e nós fazendo a festa ouvindo os estalos do torresmo no fogo e comendo já os prontos.

O porco nem sabia mais se estava gostando da festa ou não. Do começo ao fim o porco só proporcionava alegrias.

Mas esta história me lembrou outra. Mas a outra conto noutra crônica ou plágio se você preferir.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Mente desocupada, nunca!

Mente desocupada, oficina do Diabo,  já diziam os mais velhos para os mais novos.

Lembrei desse ditado hoje quando sai com meus amigos para pedalar.

Sempre que saio levo comigo meu celular e ajusto o GPS e um aplicativo que através do Global Position Sistem mede a distância e o tempo do percurso.

Três quilômetros depois da partida percebi que não tinha ajustado meu GPS. Parei e ajustei e segui nos convidativos estradões de terra batida e ladeado de mata e poucas casas de minha cidade.

Conversávamos eu e meus parceiros enquanto sócavamos o pedal e investiamos nas risadas. O celular no bolso e eu certo de que tudo estava sendo gravado: tempo e distância.

Num belo lugar no alto de um morro que já tínhamos subido vários calombos olhei o celular e vi que não acionei a opção 'gravar atividade '.

Ou seja,  tudo que de bom aconteceu nesse animado e prazeroso percurso ficou gravado na minha mente.

Agora minha mente está ocupada de boas recordações. Não é mais oficina para os diabos.

Um momento

O sono chegou
A dor aquietou
O sol raiou.
Gracas ao Senhor!
Gracas Senhor!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Sapo é mesmo príncipe

Sapos sao discretos
Não são gaiatos como os gatos
Mas procriam que nem os ratos.
A gente sempre os vê
Parado, olhando não sei pra quê .
Quando se vai o estio
Os Sapos entram no cio, mas
Os Sapos são cavalheiros
Fazem as coisas e ninguém sabe
Pra quê saber? A alegria é deles
Não é pra ninguém vê.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

OPENED

MEUS BRAÇOS
MEU CORAÇÃO
MEUS OLHOS
MINHA MENTE
-----------
    EU

24 HORAS

Poesia infantil

Acabei de descobrir que o verde se esconde dentro do do chão e que a chuva quando cai arranca o verde de lá e derrama nas folhas das plantas.

Ciclo

A terra é redonda
Redondo sou eu em meus passos
Vou pra lá vou pta cá
E termino no mesmo lugar.

Deus é redondo
Sempre se encontra conosco
Em todo lugar.

Redondo são meus problemas
E as soluções também.

Tudo é redondo
Que deixa nossa cabeça
A girar.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Jeito de agradecer

Ás vezes agradeço com lágrimas
Ás vezes com uma gargalhada
Ás vezes com um sorriso meigo
Ás vezes com palavras
Ás vezes com um gesto largo
Ás vezes com um muito obrigado.

Carne na carne

Encostei meu braço no teu
E senti o frio de tua carne macia
Em meu braço quente
Foi num esbarrão casual
Mas que me atiçou a mente

Então quando você estava de pé
Numa cadeira limpando a geladeira
Beijei de propósito tua coxa
E ali era quente
Que atiçou minha mente

Minha mente pia como
De um ser sem maldade

Só besta acredita nesse ser pio
Sem maldade.

Menina véia amarela

Menina deixa de querela!
Parece menina véia amarela
E vê se limpa esse teu zóios
Cheio de ramela.
E esse teu vestido? Vê se remodela.
Curto demais assim fica ruim
De pular a janela.
E essas sandálias?  Vê se afivela.
Depois cai e fica uma menina véia vermelho-amarela em carne viva.
Menina amarela de bucho chapado
Essa tua liberdade. ..
Essa tua libetdade
Não é coisa de donzela
Mas você é linda menina véia amarela
Essa tua liberdade
Essa tua liberdade
É muito igual a uma colorida
Aquarela.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Confissão

Minha querida
Meu amor por você não é como
O de Romeu e Julieta

Eu não tenho a coragem deles
Tirar minha vida dizendo que é por amor

Talvez eu seja um fraco
Talvez eu seja um covarde
Não me ponha em teste

Quero mesmo que você
Me tenha por sábio

Portanto, quero convidar você
A morrermos juntos aos poucos
No correr dos anos
E que sejam muitos os anos
Até que cheguemos ao fim
E em cada dia espero ter você
Por muitos anos junto de mim

Viver junto de você
Aí, sim, eu tenho coragem
Quero provar meu amor assim

Querida e se os dias puderem
Não acabar tanto melhor
Tanto melhor pra nós
Tanto melhor pra mim

Meu Fascínio

Para Valdelia Pereira Flor

O porte é de quem posa pra foto.
O gingado é intencionalmente serpenteado.
O cheiro é doce.
O cabelo esvoaçado como a palmeira agitada pelo vento.

Eu, um híbrido de abelha e beija-flor sou atraído por teu néctar.
Que nem viandante cansado busco a sombra no teu corpo de árvore frondosa.
O teu andar mais se assemelha a um levitar.

Pego o coador para um bom café. O cheiro que exala é o teu.
O sabor depois que o provo é o teu.
O pãozinho quente com manteiga exala vapor e aroma iguais ao teu.
E eu em tua mesa...

Lembro que fui ao jardim e vi um botão.
No primeiro dia ainda era um botão.
No segundo tomou forma de mulher.
No terceiro desabrochou por inteiro. Eras tu.
Tuas pétalas todas se remexiam acariciada pelo vento que te beijava
E o sol que te assistia.

Eu enciumado do sol e do vento que te beijava te colhi,
E hoje te trago na lapela esquerda.

Eu que moro perto do mar, me banho nele.
As ondas, descobri, são teus braços para os quais me jogo.

De onde vem todo esse poder de me fascinar, fascínio?

Tempero da serra

Uma taça de vinho
Vermelho e doce
No gelo sem cor
E o tempo a minha
Volta eternizado nas
Cousas simples de um
Tempo simples. A falta
de pressa e o desejo ardente
De comer com os olhos da
Alma as flores, o verde
As frutas, 0 chão ,
O canto dos pássaros
Enquanto a cascata de água
Fria misturava seu barulho
Ao som das vozes dos meus amigos. ..
Guardei tudo em meu baú
Desci ladeira abaixo com
Minhas recordações lambendo
Os beiços do sabor e agradável
Daquele dia eterno que
Deus fez o favor de me presentear
E com um desejo de que tudo se
Eternize de novo num lindo momento.

Mulher de pedra


Para Valdelia Pereira Flor

O que Eu detesto em Você
É essa tua mania de guardar a saudade em um canto do coração
Pegar a bolsa e sair.
Enquanto Eu fico inundado pela saudade.
Aí Você volta e com um beijo e um encontro com hora marcada fica tudo resolvido.

Que mulher de pedra!

Nem no sábado dá pra esquecer a agenda?
Ou trocá-la por uma loucura?

Ô mulher de pedra! Me irrita com tanta dureza.
Me enlouquece com essa lógica absurda.

Mulher de pedra
Vai acontecer um dia que te reduzirei a pó
E refarei Você toda a meu modo.

Aviso dado!

Um dia de gato

O saco de lixo rasgado, certamente por outros animais maiores, servia agora de mesa posta para um gato pequeno que tentava encontrar algo que lhe saciasse a fome. Pequeno em relação a rua, a mim e a sua fome o gatinho lutava para mastigar seu "sei lá o que" numa paciência que a esperança de ter a fome saciada lhe impunha ou mesmo a falta de força numa mandíbula tão nova ainda tinha que tinha que triturar algo que não era o leite materno. A figura daquele pequeno gato despertou em mim um sentimento de dó pela figura da necessidade imposta tão cedo na vida.

O rabo triste do gato

Os olhos do gato eram tristes e o rabo se mechia com uma melancolia de partir o coracão. Rasgava um saco de lixo e comia o que podia, aproximava-se dos hóspedes e sem falar suplicava um resto de comida ou um osso para a moda do cão devorar para por alguma caloria em suas entranhas. O gato da praia suplicava em meio a fartura. Me solidarizei com ele, com seu rabo e olhos tristes.

O banquete do urubu

O sobrevôo rasante bem a altura de minhas vistas guiado pelo faro (eu acho), ou pela visão apurada ou pelo instinto aguçado pela fome e, pousou bem em cima do corpo putrefando, e ali mesmo fazia o banquete solene. O urubu fazia a limpeza que outros não terminaram ou apenas comia sua parte que outros gentilmente deixaram, pois os bichos da natureza são solidários e comem apenas o que lhes basta e num gesto solidário instintivo pensam no outro. A galinha sem vida também dava sua colaboração sustentando a vida de outra vida.

O namoro na praia

Elas não podiam ir a lugar algum. Estavam presas pela raiz. Sendo assim tudo o que podiam fazer era viver da melhor maneira aquele momento. Aproveitaram o vento que soprava forte vindo do mar para se encostarem uma na outra. Balançavam e  esfregava suas carnes perecíveis aproveitando - se do balanço do vento. Debaixo do sol o amor dos amantes era plácido.

O jarro

O jarro já estava ali
Com areia e um buraco
No centro da areia rica
Entrei nele
Puxei a areia para cobrir meus pés
Firme,  abri meus braços
Virei o rosto para o sol
Flori.

O pobre que desconhecia o prazer

Correr se transformou para mim quase em um exercício de meditação. Assim corro e ao final, depois de ter atingido meu objetivo saio inundado não só de suor quer que escorre pela camisa, não só carregando algumas dores que desaparecerão em poucas horas de descanso e um pouco de gelo,  não só embriagado de cansaço pelo efeito do lacto gracho, mas especialmente embriagado de prazer. Foi isso que um amigo que costumeiramente pega sua bicicleta e a estaciona num banco da orla do calçadão da lagoa não entendia e foi por isso que gritou pra mim depois de me acompanhar com os olhos por cerca de cinco voltas de 1,4 quilômetro : ih, Luiz, nessa idade não tem mais jeito não amigo, o músculo não se desenvolve mais. Ele desconhecia que meu prazer aumenta dia a dia.

Pessocoisas

As pessoas querem coisas
As pessoas pensam em coisas
As pessoaa compram coisas
As pessoas usam coisas
As pessoas viram coisas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Eu cum a dor

Primeiro eu senti uma dor
Então ele se animou
E latejou
E me inquietou
A dor inchou
O lugar da dor pulsou
E a dor estourou
A dor sumiu e voltou
De manhã a dor se aquietou
Mas de noite a dor voltou
Abri o braço e a dor passou
Não sei como ela se arranjou sem mim
Fechei o braço e ela entendeu que era pra voltar
Eu deitei com a dor
(Safada)
Eu andei com a dor
(Ela não perdia o passo)
Eu falei com a dor
Mas ela não me deixou
A dor me amolou
A dor me amou
Cretina!
A dor se encheu de pus
(Imunda!Nojenta!Fedorenta! )
A dor me pintou de vermelho
Gaiata!Sem graça! Desgraçada!
A dor endoidou
A dor era um tumor
A dor me tomou
A dor me quebrou
A dor me enraivou
A dor desafiou o doutor
A dor me amolou
A dor me sacaneou
Vá embora dor!
(Gritei de dor)
Foi mesmo que nada
A dor se fez de tapada
A dor queria ser minha mulher
Mas como fazer amor
Com dor? Presta não.
A dor quis ser minha parceira
Se cachaça resolvesse
Tinha caído na bebedeira
Ora bolas! Parceira?!
Vai se Deus quiser
Chegar a hora
Que a dor vai embora
Deus permita que seja agora
Dor Cretina só não digo palavrão
Porque sou um moço de boa educação
Vá se danar!
Vá pastar!
Eu te peço  com amor
Dona dor.

Deixe de ser besta
Vá amolar o capeta!
Ele que merece
Aquela peste
Voces dois se merecem .

Desculpe, perdi a paciência
Eu refaço o pedido:
Dona dor, por favor
Me deixe. Me trate com amor.

A dor gargalhou :
Ahahahahahahaha!
E comigo se deitou.

Vou parar por aqui.
Tem jeito não .
Nao dá pra conversar com dor.

O homem da minha porta de vidro ondulado

O homem da minha porta
De vidro ondulado
Aparece sempre que a luz apaga
Ele está sempre do mesmo lado
O que me induz a pensar nele como visage
Nao se mexe não reage
Ás vezes me assusto com ele
Ás vezes sinto falta dele
Quando acendo a luz ele se vai
Se a luz apaga do outro lado não sai
Ele é um tipo engraçado
Meio sem forma,  embassado
Igualzinho a meu vidro ondulado
Se a luz muda de cor
Ele também
Vai ver não é ninguém
É só minha retina
Criando o que não tem
De qualquer forma:
Muito prazer se é de bem
E acho que ele é de bem
Pois ali parado nao faz mal
A ninguém. Só é  engraçado
Aquele homem ondulado
Ainda bem que aquele homem
Ou talvez mulher
Seja um ser de bem.
Ainda bem.

Aberração

Meu Deus que aberração!
Botaram um chifre só
Na cabeça do bode
Na cabeça da vaca
Na cabeça do veado
E dois na cabeça do Jordão
O que tem o Jordão
De tão diferente
Minha gente? !

O sumiço do homem do vidro ondulado

O sumiço do homem do vidro ondulado

O homem engraçado
Da minha porta de vidro ondulado
Sumiu desde
Quando descobriu
Que eu com mimha pena
Lhe escrevi um poema.
Ele que aparecia quando a luz apagava
Nunca mais deu o ar da graça
Com luz acesa ou apagada.
Não mudei nada
Nem na luz nem na porta
Nem no mínimo
Será que era meu amigo tímido?
Se você o vir diga
Pra deixar de ser bicho do mato
E voltar pro meu vidro ondulado.

Dia de feira

Não tem ventilador nem muito menos ar condicionado. As barracas ocupando tres espaços da rua em filas paralelas e retilíneas são cobertas de pano ordinário e muitas de plástico tipo saco de recolher cadáver. Água pra beber se compra de um vendedor carregando um isopor e gritando: Água! Água! a plenos pulmões, as pessoas se atropelando nos corredores nas sem irritação entre as barracas onde vendedores gritam suas ofertas para atrair o freguês,  é tudo muito divertido.
O contato com as pessoas. A negociação do preço cara a cara, a conversa animada e a prova da roupa tirando a medida no pescoço ou vestinso ali mesmo em cima da outra que está vestido,  encontrar pessoas que você achava que não andava ali e a diversidade de bugigangas -- isso é  a feira livre.
A sacola não é padronizada,  não ten nota fiscal nem recibo de compra,  mas caso a peça esteja com defeito o vendedor de palavra troca sem problema nenhum e garante um freguês fiel e feliz.
Dia de feira não passa carro na rua da feira,  mas no dia de feira os olhos dos que vão à feira brilham muito mais do que farol de carro.
Isso é a feira livre no interior.

O sonho

Ontem à noite sonhei que tinha ido visitar uns amigos de bicicleta.  Para não deixar a frase assim com sentido atravessado, quero dizer que fui visitar pedalando minha bicicleta uns amigos.
Cheguei. Saudei um a um. Conversamos sobre assunto de que não me lembro absolutamente de nada e também não sei porque tinham ali alguns carros de modelos antigos perto de nós.
Como em sonho as coisas se sucedem seguidamente, me via agora em minha sala de aula dando mais uma lição de inglês. E no mesmo instante jogava um tipo de esporte que não me lembro qual era com uns tipos que não inspiravam muita confiança. De repente estava novamente conversando com os amigos que eu tinha ido visitar e, dessa vez,  estávamos na frente de uma igreja setados em cadeiras de balançar.
No sonho, na sessão em que eu conversava com os amigos que eu tinha ido visitar, me dei conta de perguntar a hora e soube que era alta hora da noite e ninguém se dispos a ir me deixar a casa.
Se instalou um conflito em mim : enfrento o perigo do caminho pedalando ou faço o que? Estava em outros lugares no sonho ao mesmo tempo em que convesava com meus amigos e a preocupação de como voltaria para casa me atordoava.
Achei um carnê com oitenta reais dentro e a pessoa dona estava exatamente a meu lado com um homem  que não era o marido dela e, que ela estava tendo um caso amoroso. Entreguei o dinheiro e ela ficou muito feliz.
De novo eu estava no cenário do conflito de como voltaria para casa pedalando minha bicicleta alta hora da noite. A preocupação so aumentava. De repente tudo se resolveu. Acordei. Olhei para o quarto atordosdo e era um sonho.

O que será

Acordei com essa
Sentença feminina em minha mente : Meu amor. ..

O que minha poesia quer dizer?

Acho que nada
Mas é bom acordar com a
Essa  sentença cintilando
Em minha mente : Meu amor...

É como ser acordado e
Recebido com uma xícara de café
E uma Flor
Numa mesa nua
Por uma mulher morena
Só sua.

Meu amor...

Des-forma

Queria ser uma figura normal
Mas acho que isso faz mal.
Pensando bem prefiro
Ser desigual.

Corpo Estranho

Tudo começou com um pequeno incômodo do meu lado direito que foi aumentando, de aparência feia,  com um olho só e aspecto avermelhado de fogo e queimando que me paralisava e me impedia de fazer o que eu amava.

Preciso fazer uma pausa. Esse meu costume de escrever poesia me força a rimar as palavras. Isso é uma crônica e não uma poesia. Preciso estar consciente disso.

Vamos aos fatos secos e racionais.

Com o crescimento do corpo estranho em mim minha mente foi revirando, meu corpo se contorcendo, principalmente de noite, me deixando prostrado, irritado,  procurava um sossego e não encontrava.

Perdão. De novo essa mania de poesia. Rimar palavras.

Você que é dessas igrejas que pratica o descarrego acho já está se apressando a querer me fazer uma visita. Mas tenha calma meu camarada.

Eita mania do mal! de rimar palavras. Acho que é efeito do corpo estranho.

Prossigamos com a crônica.

Uma amiga condoida com meu estado tentou pelos comentários da minha pagina no Facebook me consolar dando uma explicação científica ao caso, um vizinho meu disse se tratar de um cabrunco e me receitou um remédio do mato.  Aceitei o conselho dos dois, mas o bicho só se rebelava. Não posso dizer que não melhorou. Melhorava e depois piorrava.

Amigos que tumor maldito esse!

A latinha de torresmo e biscoito da Bodega do Meu Avô

Meu avô postiço tinha uma mistura de bar e bodega. Meu avô mesmo, o biológico, por parte de mãe, não conheci, só namorava a foto dele e gostava de ouvir as histórias contadas por outros sobre ele.
"Queria tê-lo conhecido", não dizia com essas palavras, mas sentia sem falar. Do avô paterno nem história se contava. Sentimento nulo. Acho triste,  mas é a vida.
Então meu avô mesmo era o postiço. Além de mim eram postiços outros três primos meus, netos. Um menino,  apenas mais velho que eu alguns meses e duas meninas. Eles eram menos postiços que eu. Mas depois, noutra crônica conto pra vocês.
Mas como eu dizia, meu avô tinha um bar e uma bodega no mesmo espaço. Ele vendia mais cachaça do que arroz, feijão,  bolacha, querosene,  fósforo, Coca-Cola.
A coisa tinha um balcão alto que quem estava de dentro só via a cabeça e a mão que pegava o copo de pinga.
E como quem bebe quer algum tira-gosto, meu avô tinha uma latinha em que ele botava torresmo e bolachas pequenas. Cada dose tomada era dado ao homem ou a mulher que levantava o copo em brinde a alguma coisa da vida uma ou duas bolachinhas um ou dois torresminhos.
Os que bebiam apareciam mais de manhã e final de tarde. A latinha ficava ali nesse intervalo toda solitária. Era a vez de nós,  netos posticos e meio posticos tirar o gosto. Em pouco tempo quase tudo ia embora da latinha.
Meu avô brigava, gritava mas nunca tirava a latinha de lá nem deixava ficar vazia.
Acho que ele se divertia achando que nós, os ladrões postiços, não sabíamos que ele sabia de nosso crime.
Era sua maneira de nos pagar pelo tempo que "olhávamos " a bodega enquanto ele tirava uma soneca.

Down and Up

Eu ando e carrego comigo a mim mesmo
E vou deixando parte de mim por aí a esmo.
Carrego meu coração
Ora pesado ora ligeiro
Ora tristonho ora bandoleiro
E o entrego assim mesmo
Para quem gosta de mim
(Meu coração não dou pra qualquer um)

Ando e carrego comigo minha fé
E com ela entendo
Que a vida não é simplesmente
Como ela é.

E o cansado se restaura
E o que carrego já não é
De um passo remisso
Mas de um passo largo
Fruto da minha fé.

Com ela
(Minha fé em Deus)
A vida não é simplesmente
Como  vida é.

Poema Vigarista

Hoje amanheci com alma
De artista.
Fui à cama e acordei
A mulher com um beijo
De vigarista
Ela fez fala de bebê
Como uma miau de gato preguiçoso
Virou pro lado e cochiclou outra vez .
Vinicius nem Deummond
Fariam uma poesia dessa.
Ô poesia besta.

Infância

Naquele tempo
O tempo que estava fora
Se confundia com o tempo
Que estava dentro de mim
E assim nunca anoitecia
Era sempre dia.

Foto do Dia

Meus olhos fotografaram o dia
Com sua luz convidativa logo de manhã
E imprimiram a imagem de sua  cores
Nas folhas vermelhas-pulsantes
Do meu coração.

A Mulher Que Não Existe (3)

À MULHER QUE NÃO EXISTE (3)

Não tenho intenção
De ti encontrar
Minha mente é o seu lugar
Quero me perder
Pensando em você
Me perder.

Não se torne real
Isso me fará mal
Não queira sair do seu canto
Não comenta tamanho desencanto (a mim)
Não te quero viva (nem morta)
Te quero híbrida
Esse misto de indecisão
De achar você real
Quando você é fruto da minha imaginação.