quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Dia de feira

Não tem ventilador nem muito menos ar condicionado. As barracas ocupando tres espaços da rua em filas paralelas e retilíneas são cobertas de pano ordinário e muitas de plástico tipo saco de recolher cadáver. Água pra beber se compra de um vendedor carregando um isopor e gritando: Água! Água! a plenos pulmões, as pessoas se atropelando nos corredores nas sem irritação entre as barracas onde vendedores gritam suas ofertas para atrair o freguês,  é tudo muito divertido.
O contato com as pessoas. A negociação do preço cara a cara, a conversa animada e a prova da roupa tirando a medida no pescoço ou vestinso ali mesmo em cima da outra que está vestido,  encontrar pessoas que você achava que não andava ali e a diversidade de bugigangas -- isso é  a feira livre.
A sacola não é padronizada,  não ten nota fiscal nem recibo de compra,  mas caso a peça esteja com defeito o vendedor de palavra troca sem problema nenhum e garante um freguês fiel e feliz.
Dia de feira não passa carro na rua da feira,  mas no dia de feira os olhos dos que vão à feira brilham muito mais do que farol de carro.
Isso é a feira livre no interior.