terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A festa da morte (O Porco)

Acabei de ler uma crônica de Rubem Braga sobre a morte do carneiro que virou buchada e logo me lembrei da morte do porco que a cada seis ou sete meses acontecia lá  em casa.

Ler é como antigamente a gente fazia, sentava na calçada e numa roda conversávamos horas a fio e uma conversa levava a outra. Leio uma história e logo minha mente me transporta a outra.

O erudito besta vai dizer que o que eu estou a fazer é um intexto e que eu devo ter cuidado com os plágios. Vão se danar seus intrometidos!

Mas voltando ao Braga, percebam a intimidade, é que de tanto ler o Rubem já me fiz chegado.

Tá enrolando demais, você ja deve estar dizendo. Calma. Eu chego lá.

Meu avô criava no quintal porcos. Ele os engordava com sobras de comida e rama de batata. Eu enchia a paciência do porco jogando tudo o que eu achasse que o porco podia comer.

Seis meses depois meu avô dava uma olhada e via se o  porco estava bem.  Bem pra ele era se estava gordo o bastante para o abate. Fazia um carinho no porco e um elogio e marcava a viagem do bichão que em nada mais lembrava ao o que havia chegado, exceto que era um porco.

A morte do porco era uma festa pra mim. Meu avô dizia que amanhã era dia de acordar cedo. Ainda com escuro.  Não entendia isso. Será que era para o porco ainda meio sonolento não demorar a partir?

Esse questionamento estava dentro de mim mas não o fazia em palavras. Estou fazendo agora depois de cabelos brancos.  Mas estava na minha alma de menino.

Mas dormia com a expectativa da festa. Dia seguinte. Acordadava meio atrasado. O porco ja estava morto.  Acho que essa parte da festa meu avô não fazia questão que eu visse. Mas rapar o pelo do porco, empurrar a faca para abrir o porco em bandas,  arrancar fora os intestinos e o coração do porco,  pendurar a carcaça num gancho e com a ajuda de um machado esquartejar mais ainda o aniversariam até ai era permitido.

Depois ainda o porco sendo esquartejado, o fígado e as tripas ja estavam cozinhando numa panela e nós fazendo a festa ouvindo os estalos do torresmo no fogo e comendo já os prontos.

O porco nem sabia mais se estava gostando da festa ou não. Do começo ao fim o porco só proporcionava alegrias.

Mas esta história me lembrou outra. Mas a outra conto noutra crônica ou plágio se você preferir.