terça-feira, 29 de novembro de 2016

AS AVENTURAS DE LUIZ MIGUEL (2)

As bicicletas não eram adequadas para aquilo. Pedalar em chão de cascalho e areia frouxa com altos e baixos, eram bicicletas comuns próprias para pequenos trajetos em ruas pavimentadas e em ritmo lento.
As idades eram bem diferentes. Somadas davam sessenta. Mas andávamos juntos, sentindo o ambiente, indo em direção da barragem de nossa cidade que dista de nossa casa uns seis quilômetros.
O horário também não era o melhor nem o mais adequado para quem pensa na saúde. O sol quente do meio dia, literalmente meio dia, quando o sol frita como o fogo frita a carne na frigideira a óleo quente.

Luiz Miguel cansado da agenda do dia anterior com banho de piscina, trilha de bicicleta nas matas que restauraram em nosso município que ainda não foram vítimas da urbanização, almoço fora de hora e mais e mais; apesar disso não rejeitou meu convite: vamos pedalar até a barragem?

Chegamos. Bicicletas debaixo de uma árvore, sentamos à sombra, sobre as pedras de seixo típicas de beira de rio, o vento fresco convidava a uma soneca e tínhamos o poder de dizer vou ou não vou entregar na água, decidimos que não, bastava ficar ali na companhia um do outro. A certo ponto decidimos voltar pra casa porque a fome nos convidava.

Pedalando com o mesmo sol da ida, devagar e conversando qualquer coisa recebi um novo convite. Ver a fonte de água que a população se reunia para retirar água boa de um poço profundo abandonado depois que passou a se vender garrafões de água adicionada de sais, água boa abandonada.

O vizinho do poço, um morador meu conhecido, assustou-se comigo e Miguel, ele não havia nos reconhecido e veio fechar o portão, puxamos conversa com ele que nos reconheceu depois e mostrou um carinho que deixou Miguel orgulhoso. Pai, faz cinco anos que o Edinho não me via e ainda lembrou de mim! Saiu com sorrido no rosto e vento na cara conversando miolo de pote comigo e eu com ele.

Novo convite. Conhecer um caminho novo que dava acesso a nossa casa, conversa sem importância, mas gostosa se travava entre nós ao ritmo da pedalada. Encontramos prazer num passeio meio improvisado, simples só pelo prazer da amizade um com o outro.